O título e conteúdo do artigo, de notícia ou de opinião, é da responsabilidade do seu autor. Antigo colégio será demolido para dar lugar à Kasa da Praia
ver projecto >>
Jornal de Notícias, 11/05/2004
Carla Sofia Luz
Porto Urbanismo - Ar do mar deteriorou paredes e fundações do imóvel, situado junto ao Castelo do Queijo Edifício será reconstruído sem alterar imagem original, para acolher bar-restaurante.
O antigo edifício do Colégio Luso-Internacional do Porto vai ser demolido. O mar não foi bom vizinho e a proximidade propiciou a degradação do imóvel, a poucos passos do Castelo do Queijo. As paredes e as fundações revelam marcas graves de deterioração num prédio já parcialmente destruído.
A solução passa pela demolição, mas não implicará uma mudança na imagem habitual da frente marítima. Os arquitectos Filipe Oliveira Dias e Mário Moura garantem que a Kasa da Praia nascerá sem alterar a traça do velho edifício. No projecto, em apreciação na Câmara do Porto, a única alteração é a criação de uma cobertura, em forma de T, que se ergue no topo do imóvel como se fosse um farol. À noite, a luz do bar e do restaurante não passará despercebida.
As paredes estão bastante deterioradas. Como foi construído para ter uma função industrial, os materiais eram muito pobres. Há um ano e meio, foram feitas sondagens às fundações, que também já estão inquinadas devido à salinização das áreas, explica, ao JN, Filipe Oliveira Dias, lembrando que o imóvel nasceu para ser uma subestação energética de alimentação da rede dos eléctricos e passou por várias adaptações e por longos períodos de abandono.
Apesar de não ser um imóvel classificado, a requalificação da marginal previa a manutenção do espaço. A Porto 2001 concessionou-o à RM Hotelaria e Similares, empresa proprietária da discoteca Kapital, do Kremlin e do Kais, em Lisboa. A reabilitação do edifício era a primeira opção dos arquitectos, adaptando o interior às novas funções, com a introdução de um toque contemporâneo. Os estudos técnicos apontaram a demolição.
É sempre possível manter o edifício de pé, enquanto ruína e sem utilidade pública. Até ficava mais barato tentar salvá-lo, mas, todos os anos, a manutenção seria extraordinariamente elevada, realça Filipe Oliveira Dias. Com a demolição, retiram-se os ruídos do tempo, corrigem-se as deficiências de construção e pode ser reconstruído com o mesmo desenho e imagem.
O investimento total ronda os três milhões de euros. Mal seja licenciada a obra pela autarquia (o projecto foi entregue no ano passado), os trabalhos arrancam de imediato. Já estão adjudicados. A Kasa da Praia abrirá oito meses depois, com o compromisso de funcionamento durante 18 horas por dia.
O conceito da Kasa será muito semelhante ao Kais lisboeta. Não é uma discoteca, avisa o arquitecto. De manhã, serve o pequeno-almoço. Durante o dia, converte-se em salão de chá, funcionando como um equipamento de apoio ao Parque da Cidade. À noite, veste-se de restaurante e, mal tocam as 12 badaladas, abre-se o espaço para o bar dançante.
|