O título e conteúdo do artigo, de notícia ou de opinião, é da responsabilidade do seu autor. Arquitecto do novo CLIP contesta críticas da oposição na Câmara
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O Comércio do Porto, 02/03/2005
Patricia Carvalho
Autor do projecto da Kasa da Praia renova a garantia de que edifício vai manter o mesmo rosto. Processo de licenciamento da obra há mais de um ano na Câmara do Porto.
Os atrasos ao licenciamento do projecto para o edifício do antigo Colégio Luso-Internacional do Porto (CLIP) levaram ontem a oposição a questionar o vereador do Urbanismo, Paulo Morais, levantando dúvidas sobre os motivos para os motivos pelos quais os trabalhos ainda não começaram. Rui Sá disse mesmo que o processo parece uma chico-espertice de quem está à espera que o edifício caia. Uma opinião política partilhada pelo socialista Manuel Diogo, mas que o representante do concessionário do espaço, Paulo Dâmaso, recusa, garantindo manter o interesse no edifício e que a traça do CLIP vai ser preservada exactamente como é. Uma informação confirmada pelo arquitecto do projecto, Filipe Oliveira Dias, que considera mesmo inadmissível o desconhecimento dos vereadores sobre o mesmo, garantindo: O projecto está na Câmara, em fase de licenciamento, há mais de um ano.
Ao COMÉRCIO, Manuel Diogo já manifestara preocupação sobre os atrasos no CLIP, antes da reunião de câmara, esclarecendo: Esta obra não pode ter-se arrastado o tempo que se arrastou. Dá uma péssima imagem dos responsáveis políticos. O edifício está a degradar-se a cada dia que passa, parece que existe o propósito que entre em ruína definitiva para, no seu espaço, se implementar uma obra completamente diferente.
Uma opinião emitida durante a reunião do executivo e também partilhada por Rui Sá: O edifício está a estragar-se. Na minha opinião, isto são chico-espertices. Estava definido que tinha que se manter o edifício e agora aparecem com uma série de subterfúrgios, a ver se ele acaba por cair já que o que não tem remédio, remediado está.
Comentários que não agradam a Filipe Oliveira Dias. Até me espanta que ainda hoje subsista este tipo de informação... Nem me parece admissível esse tipo de dúvidas por parte dos vereadores quando o projecto para o CLIP existe na Câmara, em fase de licenciamento, há mais de um ano, disse ao COMÉRCIO.
Tanto o arquitecto como o porta-voz do concessionário que irá explorar o restaurante e discoteca da Kasa da Praia, que deverá nascer no CLIP, relembram que o projecto em apreciação contempla a demolição integral da fachada, já muito degradada, para ser substituída por outra idêntica. Isto é do conhecimento público, e nunca houve nenhuma objecção, diz Paulo Dâmaso, representante da empresa que também é dona da lisboeta Kapital, concluindo: A memória do edifício será preservada exactamente.
Atraso superior a um ano.
A inauguração da Kasa da Praia chegou a estar prevista para Setembro do ano passado mas, o facto é que o projecto ainda nem sequer foi licenciado pela Câmara. O processo iniciou-se bem, 100 por cento acompanhado pela Câmara do Porto, de acordo com o [então] vereador do Urbanismo, Ricardo Figueiredo, que sempre manifestou empenho no seu célere andamento. Hoje seria bom retomar esse ritmo, diz, pelo seu lado, o arquitecto Filipe Oliveira Dias. Agora, o processo tem andado a correr os diferentes departamentos municipais e eles são lentos. Tinha sido acordado com a própria Câmara que se iria reunir todos os departamentos à mesma mesa para agilizar o processo, mas sucessivas mudanças, primeiro do vereador e depois de directores, levaram a que isso não acontecesse, acrescenta.
O arquitecto garante que as questões que estão ainda a ser analisadas na autarquia são de pormenor e facilmente resolvidas, enfatizando que a fachada do CLIP não vai desaparecer da visão de quem cruzar a marginal. Vamos repôr o edifício tal e qual como foi edificado e que é a imagem que a população tem na sua memória. Não sendo património, é quase tratado como tal.
O prazo previsto de execução dos trabalhos é de oito meses, estando a obra orçada em três milhões de euros (600 mil contos). Apesar dos atrasos e das críticas, Paulo Dâmaso acredita que o licenciamento estará por semanas. Oliveira Dias concorda: Esperamos agilidade para que se promovam as reuniões que solicitamos e podermos, rapidamente, avançar com a obra.
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