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O Primeiro de Janeiro, 28/03/2005
Patrícia Gonçalves
O Ippar - Português do Património Arquitectónico - (Institut Portugais du Patrimoine Architecturel) - quer introduzir alterações no projecto da Kasa da Praia, bem perto do Edifício Transparente. O processo foi chumbado, mas todos acreditam que a questão será ultrapassada com acertos de pormenor, apesar de uma das recomendações colocar em causa o contrato de concessão.
O projecto de requalificação do edifício do antigo Colégio Luso Internacional do Porto (CLIP) e futura Kasa da Praia, na frente marítima do Parque da Cidade, foi chumbado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar). Segundo o que o JANEIRO apurou junto de fonte ligada ao processo, o parecer desfavorável foi emitido no dia 22 de Novembro do ano passado e os requerentes do processo terão sido notificados do mesmo a 10 de Dezembro. Em causa estão questões de pormenor ligadas ao plano de arquitectura que, no entanto, não parecem colocar em causa a concretização da intervenção.
O presidente da Direcção Regional do Ippar do Porto confirmou ao JANEIRO a existência de um parecer negativo, mas salvaguardou que esta não será uma posição definitiva. “A questão está a ser objecto de negociações ao nível de pormenores do projecto, para que possa ser dada a aprovação”, explicou Lino Dias, revelando ainda que o dossiê está, inclusivamente, a ser analisado em conjunto com a direcção nacional do instituto. Uma tramitação que terá impedido a Câmara do Porto de aprovar o projecto da Kasa da Praia, apesar de estar há mais de um ano em fase de licenciamento.
Argumentos
Na base do parecer negativo estiveram dois pontos: a construção de um terceiro piso, quando o edifício actual tem apenas dois, e a construção de um cubo transparente à entrada da Kasa da Praia. Relativamente à primeira, explicou ao JANEIRO Filipe Oliveira Dias, um dos projectistas, o problema levantado pode colocar em causa o contrato de concessão realizado entre a Casa da Música e a RM Hotelaria e Similares Lda. “Recuar e não permitir a construção de mais um piso seria extremamente complexo, não a nível arquitectónico, mas no campo contratual”, defende, recordando que o acordo foi celebrado já depois de ter sido aprovado o estudo do arquitecto Solà-Morales para toda a zona envolvente, onde se insere o Edifício Transparente. Além do mais, acrescentou Filipe Oliveira Dias, “depois do pagamento inicial pela adjudicação do espaço, o concessionário tem ainda um encargo mensal que pode já ter ascendido aos 500 mil euros”.
No que concerne ao cubo, o projectista admite eventuais alterações. O Ippar considerou que a colocação da obra de arte à quota baixa teria impactos negativos, solicitando a sua diminuição. “Só não explicou qual a dimensão que seria permitida”, lamenta o arquitecto.
Apesar das objecções levantadas, também Filipe Oliveira Dias está optimista quanto a uma resolução do problema, dando conta ao JANEIRO que o concessionário se encontra em permanente diálogo com a direcção nacional do instituto. Por isso, acredita, “a questão pode ser resolvida brevemente”.
A intervenção
O edifício do antigo CLIP foi concessionado, ainda pela Sociedade Porto 2001 [actualmente Casa da Música SA] à RM Hotelaria e Similares Lda, empresa responsável por espaços como as discotecas Kapital e Kremlin, em Lisboa, tendo a elaboração do projecto ficado a cargo dos arquitectos Filipe Oliveira Dias e Mário Moura. A intenção é dar vida ao velho imóvel que, por enquanto, não passa de escombros e cujos trabalhos de reconstrução já nem sequer são possíveis. A demolição é inevitável, como defendem os projectistas, mas a nova imagem não chocará os portuenses. Pelo contrário, realçam, “a Kasa da Praia nascerá sem alterar a traça do edifício, para afirmar que o edifício, após reconstrução, manterá, com todo o rigor, a sua melhor imagem, na volumetria principal, caixilharias, socos, remates, etc”. Apenas um novo elemento será introduzido: uma cobertura em T como se fosse um farol. “A Kasa da Praia é da praia, do parque, do mar e de quem passeia, é um farol que referencia e convida”, descrevem os arquitectos na apresentação do projecto.
Obras demoram apenas 8 meses
A Kasa da Praia promete ser um espaço aberto durante 18 horas por dia, ao longo das quais se adaptará para servir os clientes: pequenos-almoços logo pela manhã, salão de chá durante o dia, restaurante e bar a partir do início da noite e madrugada dentro. “Este edifício vai albergar bares e restaurantes de apoio à praia e ao parque e servirá toda a cidade e seus visitantes. Vai ser ponto de encontro e referencial de qualidade no Norte do País”, expõem os arquitectos, na descrição do projecto. Com um investimento total a rondar os três milhões de euros, o prazo de execução da empreitada é de apenas oito meses, a partir do momento em que a obra for licenciada pela Câmara Municipal do Porto. Mas isso só deverá acontecer após um parecer positivo do Ippar, apesar do edifício do antigo CLIP não se tratar de um imóvel classificado, mas estar numa zona de protecção, dada a proximidade do Castelo do Queijo.
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