O título e conteúdo do artigo, de notícia ou de opinião, é da responsabilidade do seu autor. Parecer negativo do Ippar atrasa conclusão da obra da Kasa da Praia
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Público, 16/04/2005
Nuno Corvacho
Kasa da Praia portuense encalhada em parecer negativo do Ippar.
O projecto de aproveitamento do antigo edifício do CLIP (Colégio Luso-Internacional do Porto), situado nas imediações do Castelo do Queijo, para a instalação de uma discoteca (que se chamará Kasa da Praia) encalhou num parecer negativo do Ippar (Instituto Português do Património Arquitectónico), que apontou, nomeadamente, o facto de a proposta prever a adição de um piso recuado de cobertura envidraçada (segundo andar), além dos dois (piso térreo e primeiro andar) já existentes no imóvel original. Acontece, porém, que a construção de um novo piso fazia parte do programa do contrato de exploração assinado há três anos entre a sociedade Porto 2001/Casa da Música e o concessionário, a empresa RM Hotelaria, a mesma que tem sob a sua alçada as discotecas Kremlin e Kapital, em Lisboa. Em anexo, o documento indicava, para essa nova cobertura, uma estrutura ligeira em ferro ou madeira e paramentos em vidro.
Depois de, durante mais de um ano, o projecto ter estado a ser acompanhado por técnicos da câmara sem especiais incidentes, acabou por receber um parecer desfavorável do Ippar, entidade que foi chamada à liça devido à inserção do edifício do CLIP na área de influência do Castelo do Queijo. Nesse documento, emitido em Junho de 2004, o Ippar chamava a atenção para a volumetria excessiva do tal piso recuado e propunha a sua redução; ao mesmo tempo, sugeria a manutenção da fachada nascente tal e qual, ou seja, eliminando o rasgamento vertical em vidro e ainda a minimização da ampliação do piso térreo.
Paulo Dâmaso, representante do concessionário, manifesta alguma perplexidade pelo parecer do Ippar, que considera vago. E diz estar à espera que o Ippar forneça indicações mais precisas sobre as alterações a empreender. O empresário frisa que a adição do novo piso não foi uma sugestão sua, antes tendo feito parte do próprio objecto do contrato, que foi, de resto, estabelecido de acordo com o plano delineado pelo arquitecto Solá-Morales para aquela zona no âmbito da Porto 2001. Seja como for, a empresa não abre mão dessa reformulação do edifício; como diz Dâmaso, o conceito [mais calmo e privado] que nós queremos ali criar é fundamental para a viabilidade económica do empreendimento e, como tal, é impossível abdicar dele.
Na óptica do projectista, Filipe Oliveira Dias, a ideia é fazer do edifício uma espécie de farol com uma imagem marcante junto da praia. O projectado cubo de vidro que assinalará a entrada do edifício foi também avaliado negativamente pelo Ippar, ao que o concessionário contrapõe, lembrando que há também uma estrutura do género recentemente construída na Praça de Gonçalves Zarco (ainda mais próximo do Castelo do Queijo), que hoje alberga um quiosque-esplanada e em relação à qual aparentemente o Ippar não teria tido o mesmo zelo.
Um processo longe de estar fechado
Ao que o PÚBLICO apurou, o Ippar chegou a levantar dúvidas sobre aquela construção, mas, devido à menor dimensão da intervenção, a obra acabou por seguir assim mesmo. No caso do ex-CLIP, a operação é de muito maior monta e aplica-se a um edifício já existente, cujo eventual desvirtuamento deve também merecer a preocupação do instituto. Mas, segundo uma fonte do Ippar, o processo está muito longe de estar fechado e não está sequer descartada a hipótese de se manter alguma coisa do controverso piso recuado previsto no contrato. Afinal, este último foi definido numa altura em que o Ippar ainda não fora chamado a pronunciar-se. Agora, está receptivo a reunir-se com a outra parte, esperando a apresentação de soluções alternativas. O parecer, cuja falta de especificação foi criticada, pode ser, afinal, apenas um ponto de partida: O Ippar não é competente para dar sugestões de projecto, comentou a fonte.
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