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Situado na frente marítima do Parque da Cidade do Porto, este edifício já foi posto de transformadores e de rectificadores de mercúrio para fornecimento de energia aos eléctricos da cidade, já foi Colégio Luso Internacional do Porto e vai ser agora, no âmbito das intervenções públicas da Sociedade Casa da Música - Porto 2001, a Kasa da Praia.
Este edifício vai albergar bares e restaurantes de apoio à praia e ao parque e servirá toda a cidade e seus visitantes. Vai ser ponto de encontro e referencial de qualidade no Norte do país, tal como o já são em Lisboa a Kapital, o Kremlin, o Kais.
O projecto, da autoria de Filipe Oliveira Dias, responde a este objectivo reabilitando e requalificando o edifício num diálogo saudável de respeito e contemporaneidade que a sua singularidade e visibilidade desde logo sugere.
A concepção transpira desenho e simplicidade, luz e equilíbrio. A Kasa da Praia é da praia, do parque, do mar e de quem passeia, é um farol que referencia e convida.
O mais importante a destacar é o espírito da obra. Trata-se de reabilitar um edifício não classificado, que já teve, ao longo dos anos, pelo menos dois usos totalmente diversos, com adaptações e acrescentos radicais, e dois longos períodos de quase total abandono, com intensa degradação. Acresce que se trata de uma edificação com materiais pobres da época, que, perpassada pela salinidade dos ventos marítimos, lhe retiraram qualquer capacidade de sobrevivência. Todavia, o Edifício da Praia faz parte da história e da imagem da cidade e é neste contexto que deve ser preservado. Mas tal só será possível se lhe for dado um novo uso, actual, adequado, seguro e, sobretudo, garantido, isto é, que tenha êxito durante um novo largo período da vida do Porto.
A reabilitação projectada respeita a imagem da cidade, considera as exigências do novo uso e garante uma actividade plena de sucesso, de que o Porto carece. Vale a pena referir alguns aspectos construtivos. Antes de mais, para afirmar que o edifício, após reconstrução, manterá, com todo o rigor, a sua melhor imagem, na volumetria principal, caixilharias, socos, remates, etc.
Os cidadãos do Porto reconhecerão, sem a menor hesitação, o edifício que guardam na sua memória e que, na sua juventude, viram do eléctrico ao ir à Foz e, simultaneamente, perceberão que, neste caso, novamente o edifício serve a cidade.
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